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Logística e transporte também são vocações importantes de Foz do Iguaçu. O município é um importante polo de importação e exportação transfronteiriça e possui o maior porto seco rodoviário da América Latina. O assunto foi o centro do debate na Câmara de Foz nesta terça-feira, 22 de setembro, durante audiência pública que discutiu o tema com representantes do setor logístico, do Executivo e do Legislativo. O objetivo da audiência foi dar início à consolidação de Foz como Capital Nacional do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas.
Segundo o presidente do Legislativo, Paulo Debrito, “Foz é reconhecida pelo turismo, pelas belezas naturais e pela posição estratégica na Tríplice Fronteira. Outra atividade que precisa ser valorizada é o transporte internacional. Estamos falando de uma movimentação que pode chegar a 700 caminhões por dia e 200 mil veículos por ano, e isso pode crescer ainda mais com o nosso novo porto seco. Foz não é uma cidade de passagem, somos uma cidade de estratégia e logística para o Mercosul e América do Sul”.
O diretor-superintendente do Foztrans, Gerson Rodrigues, que também representou a Prefeitura de Foz do Iguaçu, ressaltou a importância do reconhecimento para o setor de transportes e para a melhoria da infraestrutura logística. “Foz é conhecida pelo turismo, mas não pode deixar de lado o transporte rodoviário. Foz é um hub do Mercosul e, se esse reconhecimento acontecer, poderá facilitar a busca por recursos federais para a duplicação de vias e melhorias na logística, especialmente na liberação das filas”, afirmou.
Impacto econômico
O presidente do SindFoz e 2º vice-presidente da Fetranspar, Celso Gallegario, destacou que a participação do setor de logística foi uma das motivações para a realização do debate. “O que isso vai trazer? O setor de transporte beneficia mais de 30 cadeias da sociedade, seja o frentista, o borracheiro, a construção civil ou os motoristas que vêm trabalhar aqui. É de grande importância dar notoriedade a esse setor. Estamos um pouco estagnados nos últimos anos, mas este é um primeiro passo para uma nova jornada. Hoje, Foz tem carência de mão de obra no transporte. O setor de transporte e logística contribuiu com R$110 milhões em ISSQN para o município”, afirmou.
O presidente da Associação dos Despachantes Aduaneiros e Comércio Exterior do Paraná, Juliano Albuquerque, destacou a dimensão das operações realizadas na fronteira. Segundo ele, Foz do Iguaçu movimentou US$ 10 bilhões em operações de comércio exterior em 2025, com mais de 5 milhões de toneladas de cargas processadas. “Olha o potencial econômico de Foz com uma Zona de Processamento de Exportação. Isso traria muitas fontes de renda para a cidade. Mas, primeiro, precisamos pensar nos gargalos”, afirmou.
O chefe da Multilog Logística Integrada em Foz do Iguaçu, Roger Mendes, também destacou a posição estratégica do município no comércio internacional. “Foz é uma cidade que respira o transporte internacional. Falar de Foz é falar de uma cidade que possui características únicas no Brasil. Foz não é apenas uma porta de entrada de mercadorias, mas também uma porta de entrada para o comércio internacional”, afirmou.
Infraestrutura e condições de trabalho
O auditor-fiscal e representante da Alfândega da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, Hipólito José Arruda Caplan, destacou o papel da Receita Federal na proteção da sociedade e no controle das operações realizadas na fronteira. “Foz é uma cidade estratégica. Aqui passam milhares de caminhoneiros. Por isso, precisamos reconhecer uma realidade que já existe. Mas ser uma capital desse setor também significa ter responsabilidade. É inadmissível que trabalhadores fiquem dias parados, sem segurança e higiene”, afirmou. Para ele, o reconhecimento deve estar acompanhado de melhorias nas condições oferecidas aos profissionais que atuam no transporte internacional.
O fiscal da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em Foz do Iguaçu, Jurandir Peroni, também participou da audiência. Entre os pontos levantados, esteve a necessidade de solucionar as limitações existentes no transporte internacional com o Paraguai e ampliar a formação de mão de obra para o setor.
Outros participantes também destacaram a relação entre logística e turismo. Fernando Martin apontou que muitos dos problemas enfrentados pela logística de Foz do Iguaçu também afetam diretamente o setor turístico. Edmilson Iareski, por sua vez, defendeu que o transporte seja tratado como um dos agentes de amadurecimento e dese
nvolvimento do município.

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